afetos

esse blog decidiu mudar de caminho…

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ars erotica: a desordem

“desaba em mim suas ordenações, paus, picas, pilares, sustentações, que o erotismo é a arte do desamparo. não há erotismo quando os desejos são erigidos em ordenamentos alheios, sob colunas e vigas do tem-que-ser-assim. desaba em mim suas ordenações, rasga mapas e deixa o corpo mole permitindo alastrar gotas de suor e descompasso, que o erotismo é a arte do desalinho. não há erotismo no ordenamento, nos mandatos e nos desejos atropelados por trilhas impostas. …”

continue lendo aqui: ars erotica

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labirinto de galhos secos…

labirinto de galhos secos
resto de mato de capina
amontoado de gravetos

ateando fogo, se faz coivara
sabendo voar, se faz ninhos

curitiba, 27 de outubro de 2010.

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que sejam belas minhas marcas

carrego em mim agora as marcas do outono, em folhas de momijis castanho avermelhadas que enfeitam meu corpo em movimentos de queda. folhas desprendem de verdes galhos nos ombros e escorregam no assopro dos ventos até o antebraço. são cicatrizes que nascem no braço oposto ao do pulso cortado, dos cortes suturados e do incomodo quelóide que se formou da taça quebrada enfiada com desespero tentando levar as veias a fora, aspirando ao estancamento do sangue que só pulsava dor. mas hoje, o sangue que jorrou no encontro das rápidas agulhas e da tinta vermelha, pulsava plenitude. plenitude que só nasce do encantamento do outono, do destemor perante novas agulhas e do encontro de folhas avermelhadas que se esbarram em danças livres pelo ar. ao ver o sangue sujo de tinta escorrer do braço direito – nada assemelhado ao que jorrou do braço esquerdo há três meses – me senti completamente livre. era sangue sujo de tinta preta, mas me pareceu mais vermelho e belo, diferente do sangue de outrora. não se trata de vingança do braço esquerdo ao que, contra ele, empunhou em movimentos encarniçados as três facas que encontrou na cozinha e cacos de vidros de uma taça de vinho quebrada na pia, e nem mesmo um perdão – através da equiparação de dores inequiparáveis –, mas de um acerto de contas com minha história ao fazer o que sei fazer: poesia… encantar e me encantar com a beleza. agora meu braço direito está incrivelmente belo, o que me faz – em movimento dialéticos diria meu amado namorado –enamorar-me pelo meu braço esquerdo. trata-se portanto da seguinte decisão:

– que sejam belas minhas marcas. minha estória não será a da opressão ferro, dos machos, dos embrutecidos sem coragem, dos filósofos hipócritas. não será a da traição, do estupro, do abandono e da opressão da falta de coragem perante os afetos, o amor e os pactos.

– minha história será sempre do movimento, da entrega e da beleza.

axé!

curitiba, 03 de novembro de 2010.

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ars erotica

o editor rafael reinehr e o blogueiro fabiano camilo me convidaram para assumir uma coluna no portal O Pensador Selvagem sobre sexualidade.

segue o texto de estréia da minha coluna ars erotica

http://opensadorselvagem.org/vida-e-estilo/ars-erotica/vertebra-primeira-a-singularidade

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por quais veredas tua pele me levas?

querer de secura do cerrado
mata sede na onda de sua íris
verde no avesso do outono
castanha do viçar das raízes
versejando num amar suspirado
estrofes querendo ter-te como dono
ser todo seu livre e amado
bailando sem temer abandono
percorre nas veredas da sua pele
esbarrando no atrito de seus pelos
elipses nas nervuras de sua derme
tremores exalam perfume e vapor
faz a paixão, apetite do despudor,
mergulhar no desejo de suas fendas
deságuas em mim saliva e suor
molhas minha garganta e virilha
tracejas em mim nova trilha
e não preciso dizer-te para que entendas
que lágrimas minhas vertem de amor
chegas perto, entras dentro
gotejas em meus lábios
a sede de seu sêmen
no sabor ardente de seu gozo
e nos espasmos de meu corpo
derramas em mim novos versos
num ébrio deleite de seu nome

curitiba, 24 de outubro de 2010.

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calanguinho apaixonado…

o paraná atlântico atravessado por trilha graciosa resolveu de seduzir um calango do cerrado. o calango novinho, partícula de vida perante a vida de imbuias milenares, e de poucos trôpegos passos, na terra dos passos dos tropeiros do mate, encantou-se pela infiniteza verde de um olhar e depois apercebeu-se que esse verde era parte da infititude de um verde ainda maior. acostumado com as tortuosidade das árvores e a retidão da terra do planalto, embasbacou-se com árvores retas a decorar altas montanhas de serras. viu a neblina acarinhar a serra do mar como língua úmida que se arrasta lenta em pele da nuca do corpo de um lindo curitibano. viu que sobre os pelos verdes da serra erguiam araucárias como vórtices de puro desejo, dezenas de anahatas ou sahasras abrindo-se em lótus para o céu coberto de nuvens, cheio de gozo, numa brancura desejante de um jeito pleno. apercebeu-se que desejo não tem nada a ver com falta, mas que ele floresce na presença e na entrega. passou a amar de um jeito que nunca tinha amado, num amor que transborda para além do verde singular dos olhos do amado mas que passa a amar todo o verde dele que há no paraná e todo o paraná que há no verde dele. o calango, bichinho assustado que se esconde nas pedras do cerrado, sentiu-se seguro na infiniteza daquele verde e, no meio de uma totalidade assustadora, mas amorosa, nunca se sentiu tão feliz.

morretes, 16 de outubro de 2010.

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